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Viagens Soltas: Borobudur, o templo mais visitado da Indonésia

Uma crónica de Rui Daniel Silva.

06/04/2017 | Fonte: Texto cedido por Rui Daniel Silva

Passadas 24 horas chegámos finalmente a Jacarta, capital da Indonésia. Sendo esta ci-dade apenas um ponto de entrada fácil e barato para a Indonésia, ficámos somente uma noite.  

O objetivo seria chegar a Yogyakarta no dia seguinte para visitar os templos de Boro-budur e Prambanan. Perguntámos na pousada onde poderíamos comprar o bilhete de comboio e indicaram-nos um supermercado. Claramente, o sítio mais indicado para com-prar um bilhete de comboio. Dirigimo-nos ao tal supermercado e percebemos imediata-mente que a língua seria um enorme entrave nesta ilha. Ninguém entendia nada. Como resposta apenas tivemos alguns sorrisos e acabámos por vir embora sem bilhete. A única solução seria acordar cedo no dia seguinte e dirigirmo-nos à bilheteira da estação de comboios.

Antes de voltarmos à pousada fomos a outro supermercado comprar algo para comer. Perguntei a um empregado se tinham cerveja e ele levou-me ao gerente. Disse que ti-nha, mas que teria de esperar um pouco, pois iria a casa buscar a cerveja. Comecei a rir e lá esperei pela tal cerveja.

Só passados alguns dias acabei por perceber, que sendo esta uma ilha onde maioritari-amente a população é muçulmana, seria mais difícil encontrar bebidas alcoólicas.

No dia seguinte, acordámos às 5 da manhã e fomos até à estação de comboios com a expetativa de conseguir bilhete para Yogyakarta. No meio daquela confusão toda conse-guimos bilhete e partimos para Yogyakarta. Uma viagem de oito horas onde nos deliciá-vamos com as magníficas paisagens. Campos de arroz, palmeiras, montanhas e alguns riachos acabaram por nos dar boleia ao longo deste percurso bucólico em tom esverdea-do. A cada paragem, os nativos saíam do comboio para fumar. Assim como na Turquia, também na Indonésia as pessoas fumam imenso. Até nas paragens mais curtas, os nati-vos saíam do comboio, davam só duas ou três passas, molhavam a ponta e guardavam o cigarro para a próxima paragem. Os javaneses são bastante simpáticos e sorriem sempre. Numa das paragens, um certo rapaz pediu-me para tirar uma fotografia e de seguida ofe-receu-me um maço de tabaco. O tabaco da Indonésia custava apenas 1 euro mas tinha um sabor esquisito. Por vezes parecia-me ter um sabor a anis, mas não sabia bem o que era.

Provavelmente um cigarro gourmet que eu não apreciava muito, ou nada mesmo.

Finalmente em Yogyakarta, decidimos explorar a cidade. Um autêntico caos, o trânsito. Motas e mais motas, onde cada um impunha as suas próprias regras. Ou melhor, não havia qualquer tipo de regras. Atravessar a estrada era sempre uma autêntica aventura. Pela cidade, os mercados e o forte cheiro a comida acompanhavam-nos ao longo de todo o percurso entre ruas e vielas. Comer num restaurante local era bastante barato. Uma refeição não chegava a um euro e a experiência era bastante engraçada. As mesas eram baixas e não havia qualquer tipo de cadeira. Ou seja, comíamos sentados no chão. Um pequeno conforto ao qual tivemos de nos habituar. Tanto em Jacarta como nesta cidade, acordávamos às 4 da manhã com as famosas rezas em alto som a partir dos altifalantes da mesquita.

É a chamada para a oração muçulmana, também conhecida por Adhan, que acontece cinco vezes ao dia. No dia seguinte, apanhámos um autocarro para visitar os famosos templos de Borobudur. Cada viagem realizada em transportes públicos pelo mundo é sempre um mistério e uma autêntica aventura, que por vezes partilhamos com imensas gargalhadas. No autocarro havia um fulano que foi toda a viagem pendurado na porta à cata de mais passageiros. As pessoas fumavam à vontade no autocarro e outras almoça-vam em plena viagem. Eram apenas oito da manhã e havia um cheiro intenso a comida.

Finalmente chegámos ao destino. À entrada entregam-nos um “ Sarong “ que é um lenço que temos de usar à volta da cintura, para cobrirmos as pernas e podermos visitar o tem-plo. Construído nos séculos VIII e IX, é o maior templo budista do mundo. A sua grandio-sidade é de uma beleza rara e indescritível. Mais de dois milhões de pedras foram usadas para a construção deste templo. A parte inferior tem forma de pirâmide incompleta, forma-da por cinco terraços e o ritual da caminhada até ao topo deve fazer-se no sentido do ponteiro do relógio.

Toda a estrutura é decorada por mais de 1500 relevos que ilustram a vida de Buda, assim como imensas estátuas budistas. No topo do templo encontram-se vários sinos de pedra e a vista é simplesmente magnifica. Há um misto de sensações à nossa volta. O majesto-so templo com as suas inúmeras estátuas, as montanhas e o ao longe, o vulcão Merapi.

Sem dúvida que Borobudur é um lugar mágico.

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