Limpo

Segunda | 21 Agosto

18C

24

14

A não perder < voltar

Viagens Soltas | Índia: Taj Mahal

Uma crónica de Rui Daniel Silva

22/06/2017 | Fonte: Rui Daniel Silva

Rui Daniel Silva

De manhã cedo seguimos viagem com destino à cidade de Agra.

Como já era habitual, o caos e a desordem enfatizavam um paradigma tão enraizado por terras de marajás. Um mundo louco e absurdo, que certamente é visto pelas suas gentes como um cenário costumeiro e banal. Contudo, apenas vou descrever uma pequena situação ao longo da nossa viagem.

Em pleno andamento, um autocarro transportava dezenas de passageiros em cima e outros tantos pendurados na porta e na parte de trás. Se o preço é mais em conta desconheço por completo, só sei que uma viagem deste género, onde o perigo e a morte nos dão boleia, não é de modo algum agradável.

A primeira paragem que fizemos foi em Fatehpur Sikri. Uma cidade abandonada com mais de quinhentos anos, mas com um estado de conservação de se tirar o chapéu.

A sua estupenda arquitetura é uma mistura de vários estilos: o hindu e o islâmico.

Sem sombra de dúvida que o local é encantador, mas em relação aos seus autóctones, já nem sei se deva comentar ou não. Vindos todos da mesma fornada, parecem réplicas uns dos outros.

Insistem todos que são guias e, após agradecermos sempre com alguma gentileza e amabilidade, ficam chateados por não estarmos interessados nos seus serviços.

O problema não eram uns míseros cinquenta cêntimos, mas uma conduta brusca e por vezes severa.

À entrada do palácio de Fatehpur Sikri estava um senhor que disse que não poderíamos entrar com o calçado.

Olhei para o lado e realmente pude ver que todos os nativos deixavam lá o seu calçado.

Quando entreguei as minhas havaianas, pediu imediatamente dinheiro. No mesmo instante coloquei as havaianas na minha mochila por perceber que nenhum nativo pagava qualquer cêntimo por lá deixar o calçado.

Todas estas situações eram o prato do dia. Honestidade e amabilidade não constavam na ementa indiana. Era deveras frustrante deambular entre alguma falsidade e intrujice.

Após a visita a este magnífico palácio, decidimos parar numa pequena barraca para comprar “ Halls”. Perguntámos o preço e o rapaz disse que seriam sessenta rúpias. A minha colega reparou que no pacote estava escrito cinquenta em vez de sessenta. Imediatamente disse ao rapaz que o valor na embalagem não era o que ele tinha pedido. Começou a rir, dizendo que se tinha enganado.
Já devem ter percebido que situações deste género são recorrentes na India. Não é de todo a minha intenção afugentar os leitores para um dia visitarem este país maravilhoso e mágico., mas devem contar com estes percalços. Onde há turismo estes nativos são sósias fidedignos do mau feitio e carácter duvidoso.

No último dia em solo indiano, acordámos bem cedo para ver o pôr-do-sol no famoso Taj Mahal.

Tomei o pequeno-almoço na pousada e ainda bem que o fiz. Passo a explicar: a minha colega, que decidiu levar o seu sumo e o pacote de bolachas para comer no caminho, foi assaltada, ou melhor, quase assaltada. Isto porque os “ladrões” eram uns macacos que quando viram a comida começaram a correr que nem uns loucos na sua direcção. Assustada, a Patrícia entregou gentilmente a sua comida. Como é óbvio, fartei-me de rir com esta situação, principalmente quando olhava para a minha colega e para os macacos. Ela cheia de fome por não ter tomado o seu pequeno-almoço e os babuínos a consolarem-se com deliciosas bolachas e um sumo.

Eis finalmente o apogeu da nossa viagem, o Taj Mahal.

Entende-se perfeitamente a razão deste monumento constar na lista das sete maravilhas do mundo.
Maravilhoso, espantoso e grandioso, estes adjetivos nunca serão suficientes para descrever tal venustidade. O Taj Mahal foi construído pelo imperador Shah Jahan em memória da sua esposa Mumtaz Mahal, que tinha morrido em 1631. Na altura, o imperador prometera, como prova de amor, erguer um monumento tão grandioso que o mundo inteiro jamais esqueceria a grande paixão entre ambos.

Na Índia, o casamento funciona da seguinte forma: os pais escolhem os noivos para os seus filhos. Após esta escolha forçada que os filhos terão de aceitar, os jovens encontram-se e, se realmente gostarem um do outro, casam seis meses mais tarde. Se ambos não gostarem, ou apenas um deles não sentir que será o esposo ideal, os pais voltam a escolher outros noivos.

Quando o taxista me explicou todo este enredo, esbocei um sorriso ao imaginar um certo indivíduo mais esquisito, obrigando os pais a correr uma aldeia inteira à procura da pessoa certa para o casamento.

Comentários