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Viagens Soltas | México: um destino completo

Uma crónica de Rui Daniel Silva

03/08/2017 | Fonte: Texto cedido por Rui Daniel Silva

Rui Daniel Silva | Viagens Soltas | México: um destino completo

Há destinos e destinos. Cada um com o seu refrão ou atributo, sejam praias, ilhas, montanhas, lagos, vulcões, cultura, gastronomia ou o quer que seja. Mas este país de origem maia é um daqueles destinos capaz de preencher as medidas a qualquer um. Ousadia ou petulância, a meu ver é um destino perfeito e sublime.

Concomitantemente, o México é especial por ter sido o primeiro país que visitei fora da Europa. Desde pequeno que a cultura maia me fascina e tudo por causa de uns desenhos animados designados  “As misteriosas cidades de ouro”. Esta série retratava uma aventura de três jovens à procura das lendárias cidades de ouro no continente americano. Caloiro na arte de saborear continentes e culturas bem distintas, à chegada fiquei completamente surpreendido com o insuportável calor abafado e férvido que se fazia sentir.

Em contrapartida, a chegada ao hotel fora uma lisonjeada surpresa. Apesar de hoje em dia não apreciar muito este tipo de viagens, na altura fiquei fascinado com a tal “pulseira” do tudo incluído. Este regalo despertou de imediato uma sede insaciável de provar todos os cocktails até me apaixonar definitivamente pelas “piñas coladas”.
Sendo este apenas o início de uma longa jornada pelo mundo, o choque cultural era visível em cada recanto e beco. Por vezes estranho, mas por outro lado reconfortante.

Quando me cruzei pela primeira vez com iguanas a deambularem pelos jardins do hotel fiquei perplexo e embasbacado. Não estava de forma alguma à espera deste brinde. Até aqui, os únicos encontros com o mundo animalesco eram apenas animais domésticos. Com o passar do tempo, a presença deste réptil revertia-se numa situação completamente banal e familiar por estas terras. As viagens para um resort funcionam da seguinte maneira: no dia seguinte pela manhã, há uma espécie de encontro marcado com operadoras turísticas que fazem uma apresentação de todas as excursões. Uma possível saída do hotel é sempre um ato perigoso, uma vez que estas pessoas simplesmente querem incutir-nos as suas excursões a preços exorbitantes.

Sendo novato num destino bem longe da minha terra natal, decidi comprar algumas excursões. A principal finalidade seria visitar alguns templos arqueológicos mais espalhados pela península do Iucatão. Apesar de não ser um fidedigno apreciador de praias, resolvi dar uma espreitadela nesta costa caribenha, e eis que aconteceu o inesperado.

Quando vi a cor da água fiquei completamente fascinado. Um azul claro como nunca tinha visto, com palmeiras e coqueiros a desfilarem nas suas areias brancas. Arrastado por uma força superior inexplicável, decidi abraçar imediatamente aquele mar. Uma fidedigna venustidade mágica e sublime criada pelo deus Poseidon. Atrevo-me mesmo a dizer que foi amor à primeira vista. Não tinha de lutar ou de me contorcer para entrar na água. Ao contrário de algumas praias que já tinha visitado, a temperatura da água era bastante elevada e com um calor intragável era simplesmente delicioso permanecer naquela água. Mas o México não se limita apenas a praias e ilhas paradisíacas. Existem complexos arqueológicos de uma beleza estrondosa.

Tulum é apenas um dos exemplos que irei mencionar nesta crónica. Este sítio arqueológico encontra-se ao longo do mar e estes dois conceitos bem distintos combinam na perfeição. Cultura e praia de mãos dadas em plena harmonia. Uma virtuosidade e formosura que deixa qualquer um sem palavras. Mas o verdadeiro apogeu de uma visita a este belíssimo país é, sem sombra de dúvida, Chichén Itzá. Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia e todo o complexo é de uma beleza extraordinária. Fazendo parte das novas sete maravilhas do mundo, é também o local mais visitado do México.

Entre vários templos que formam esta cidade, o expoente máximo do seu esplendor e magnificência é, indubitavelmente, o templo de Kukulcán. Com 30 metros de altura, foi construído no século XII. Ao longe, parece uma simples pirâmide, mas uma aproximação mais cautelosa demonstra toda uma perícia majestosa e minuciosa deste povo maia.

Constituída por nove patamares e quatro fachadas, cada lado da pirâmide possui uma escadaria de 91 degraus. Curiosamente, a soma destes degraus mais o topo dá 365, o que equivale aos dias do ano do nosso calendário. Subir ao topo é estritamente proibido, principalmente após a nomeação como uma das novas sete maravilhas do mundo. Uma das alternativas para se poder subir ao cume de um templo é Coba. Igualmente majestoso e imponente, este templo em ruínas de 42 metros de altura encontra-se no meio da selva e a vista do seu cume, proporciona uma panorâmica única e encantadora.

Apesar de o México ser um país bastante heterogéneo, uma grande parte da população descende dos maias. Num certo dia, uma das excursões finalizava com uma visita a uma aldeia, onde iríamos degustar gastronomia maia. Com vestes coloridas, estes simpáticos autóctones davam nas vistas por serem extremamente baixos.

Até a minha colega, que tem uma estatura relativamente baixa, se sentia uma gigante ao lado destes nativos. Quando foi a minha vez de tirar uma foto com eles, tive de me curvar, parecendo que estava a agradecer como nos países asiáticos. Se naquele momento não me tivesse baixado, tendo pedido para me fotografarem do tronco para cima ao lado daquelas figuras simpáticas, iria parecer que estava sozinho na fotografia.

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