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Viagens Soltas | O Lago Titicaca no Perú

Uma crónica de Rui Daniel Silva

31/08/2017 | Fonte: Texto cedido por Rui Daniel Silva

Rui Daniel Silva | O Lago Titicaca no Perú

Singrado pela cordilheira dos Andes, o país dos incas é um daqueles destinos capaz de satisfazer qualquer um. Quando ouvimos a palavra Peru, associamo-la imediatamente a Machu Picchu, mas esta nação não se restringe apenas a esta maravilha do mundo.

Outro encanto que abrilhanta este gigantesco país é o místico lago Titicaca, situado entre o Peru e a Bolívia. O ponto de partida para uma visita a este lago e suas aldeias flutuantes é a cidade de Puno. Devido ao elevado número de turistas, encontrar um meio de transporte a partir da cidade Cusco é pera doce.

Viajar durante a noite tem sempre as suas vantagens e desvantagens. Ainda que o conforto não seja o mais talhado para um descanso sereno e distendido, acabamos por poupar algum dinheiro na dormida. Uma outra primazia é acordar no dia seguinte noutra localidade, prontamente a ser esmiuçada.

Estando Puno situada a 3800 m de altitude, fomos recebidos por uma ligeira brisa e alguns ventos enfáticos. Um prólogo que não fora, de modo algum, um espanto. A esta altitude, seria de esperar que o clima se comportasse dessa forma. Com inúmeras empresas a assediar os turistas, não foi difícil encontrar um barco que percorresse este lago com o intuito de visitar algumas aldeias flutuantes, assim como a ilha Taquile.

Segundo a lenda andina, foi neste lago que nasceu a civilização inca. Com cerca de 8300 km2, o lago Titicaca está a 3800 m acima do nível do mar e é o lago navegável mais alto do mundo. Navegar estas águas, serpenteando as imensas ilhas flutuantes, foi, sem dúvida, uma experiência única. O panorama era um autêntico cartão postal, não dando qualquer repouso às máquinas fotográficas que se deliciavam tirando estupendas fotografias.

Os habitantes destas ilhas são conhecidos pelos Uros. É fascinante como ao longo do tempo estes nativos ainda resistem a este modo de vida primitivo. Vivem em ilhas artificiais flutuantes, feitas de juncos que por ali crescem em opulência. Todo este aparato surgiu de uma forma bastante notável e apreciável. Outrora, para não se submeterem ao domínio inca, os Uros acabaram por criar um novo território, dentro do lago, continuando a usufruir da sua independência.

Num espaço tão claustrofóbico, longe de tudo e de todos, era admirável como as inúmeras crianças improvisavam jogos e brincadeiras, divertindo-se com uma alegria contagiante.

A cerca de 45 km da cidade de Puno situa-se a ilha Taquile. Sendo que esta ínsula resiste à prosperidade do século XXI, deambular entre os seus trilhos selvagens é de uma beleza rara e pura. Uma ilha de características acidentadas, onde não se avistam automóveis ou qualquer tipo de alojamento. Ao longo do caminho éramos galardoados com imensas ovelhas que vadiavam por veredas e sendas.

Os seus autóctones são conhecidos pelas tradições de artesanato. De aldeia em aldeia, era possível presenciar esta prática, vendo inúmeros nativos tecerem roupas. Como em toda a América do Sul e Central, o vestuário policromático é um infindável costume. Num pequeno povoado, fomos recebidos com música.

Um grupo constituído por algumas guitarras e flautas de pan alegravam os nativos, que dançavam numa roda gigante. Imediatamente os autóctones interpelaram os turistas para se juntarem à festa.

Entre algumas senhoras e raparigas mais jovens, tive direito a ficar com a senhora mais idosa, mas que tinha uma genica impressionante. Creio que naquele momento, o genuíno idoso era eu, que simplesmente não conseguia acompanhar os seus passos.

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