Céu limpo com poucas nuvens

Domingo | 18 Agosto

31C

33

25

Descubra o País < voltar

O voo dos antílopes

No Parque Nacional da Gorongosa

09/11/2009 | Fonte: Por Teresa Cotrim

Fotos

Foto: PNG | Pala-Pala

Fotos

  • Kudu - Fotos de Teresa Cotrim
  • Inhassoro
  • Oribis
  • Oribis
  • Impala
  • Impala
  • Imbalala

Kudu - Fotos de Teresa Cotrim1 de 7

Já alguma vez observou uma impala ou um kudu a saltar?

São magníficos. Parece que voam. A sua elegância espalha movimento na pacata savana de cor amarelo-torrado. São animais tímidos e cautelosos, pudera, pois todos os cobiçam: leões, leopardos, crocodilos e o mais ambicioso de todos os predadores, o homem, que além da sua carne procura nalgumas destas espécies os chifres como troféu.

E mesmo que já tenho um bom par acaba por procurar sempre outros ainda maiores. Só no reino animal, claro!

No Parque Nacional da Gorongosa pode admirar alguns dos mais belos exemplares. Não pense que conseguirá obter magníficas fotografias, pois estes saltitam a uma tal velocidade que nem a mais rápida das lentes os apanha.

Escondem-se entre os ramos das árvores, mergulham no capim, atrás das palmeiras ou das acácias mas sem eles o Parque não seria o mesmo.

Cada um tem uma particularidade especial. Cada antílope conta uma história familiar distinta, apesar de terem semelhanças. Cada um dá um colorido diferente à paisagem.

Vamos falar dos kudu, oribi, pala-pala, inhacoso, impala e imbalala.

Kudu

O Kudu é o símbolo de Moçambique. A sua pelagem é cinzenta e tem uma crina ao longo das costas e possui várias riscas transversais ao longo do dorso. Podem ir de seis a dez. Tem também uma entre os olhos. É muito tímido e furtivo. Ouve muito bem talvez por ter umas grandes orelhas.

Possui um olfacto digno de um mestre de culinária e é um corredor exímio atingindo elevadas velocidades. O macho tem os chifres em espiral – o que faz com que os caçadores os cobicem, servindo ainda de arma de luta pela fêmea. Quando desejam a dama entrelaçam-se de tal forma que, por vezes é difícil soltarem-se. A intenção é levar o rival a perder o equilíbrio.

São os grandes mestres da camuflagem, pois deitam-se entre o capim e quase não se vêem. A maior parte do tempo escondem-se em mata cerrada. Aqui o macho baixa a cabeça para que os cornos não se entronquem nas árvores e levanta a cauda para que a manada o siga. São activos durante o dia e noite. Quando estão em stress dão saltos que atingem os 3 metros. Daí que uma vedação de dois metros não os amedronte.

Um macho pode pesar entre 135 kg e 190 kg. Já a fêmea é mais gordinha, oscilando entre os 120 – 215 kg. Alimenta-se de pasto, folhas, raízes e tubérculos. Podem viver 23 anos. Os grupos misturam machos e fêmeas mas nunca mais de 20 elementos. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 14 anos. O período de reprodução acontece entre Maio e Agosto e um recem-nascido pode pesar16 kg e tende a vir ao mundo na época das chuvas, ou seja Janeiro.

Oribi

Quem não se lembra do Bambi das histórias infantis? A pequena gazela com pintinhas nas coxas que saltitava entre as ervas… No Parque da Gorongosa pode ver muitos. De cor vermelha ocre ou castanho amarelado com o peito branco e cauda preta com um pompom que lhes dá um ar amoroso. As suas pernas e o pescoço são bem compridos. Uma das características que se destaca é que têm uma pinta preta por baixo de cada orelha – estilo um sinal – são as suas glândulas sensoriais. É com elas que marcam o território.

As fêmeas é que marcam o espaço espalhando as fezes depois o macho segue-a. Segundo os guias do Parque da Gorongosa no ritual do acasalamento a fêmea agacha-se, o macho cheira-lhe as partes traseiras marca a erva em redor, bate com  a pata e o resto acontece. Os machos têm cornos finos mas hirtes e, apesar de escolherem uma gazela não significa que não pulem a cerca.

As suas grandes orelhas servem para que estejam sempre alerta dos ruídos envolventes. Daí ser comum quando, por exemplo se dispara uma foto estes saltarem de imediato. Até porque são alvos de imensos predadores: leões, leopardos, crocodilos, hienas e as suas crias são muito cobiçadas pelas águias e jibóias.

Adoram comer a erva do pasto e também de acordo com os guias da Gorongosa quando incomodados assobiam. Nos safaris por vezes são difíceis de visualizar porque se escondem entre a densa ramagem das árvores.

Pala-Pala

Mais conhecido como palanca negra, símbolo de Angola este antílope adora a savana tipo “miombo”, ou seja que mistura floresta e capim de grande variedade. Gostam de comer erva e rebentos. Na Gorongosa avistam-se algumas manadas. Os machos são pretos com a barriga branca e os seus cornos imponentes. Medem entre 80 e 165 cm. Já as fêmeas têm uma cor acastanhada que vai escurecendo com a idade e os seus cornos oscilam de tamanho, entre os 60 cm e um metro.

Têm uma cauda longa, orelhas pontiagudas e longas. O seu pescoço é bem encorpado. Têm uma esperança de vida que ronda os 20 anos, isto se não forem caçados por predadores ou humanos, pois os seus chifres são cobiçados pelos caçadores furtivos que buscam este troféu.

Há manadas em que a fêmea lidera, deixando alguns jovens machos entrarem no clã. Podem, contudo, avistar-se machos solitários que demarcam um território que vai dos 4 aos 9 hectares. Como são antílopes gregários pode conseguir ver manadas com 100 elementos. São muito engraçados a lutar pois colocam-se de joelhos.

Inhacoso ou Piva

O guia da Gorongosa não resistiu a contar uma anedota do primeiro Inhacoso que avistámos neste Parque. “Quando estavam a fazer os acampamentos e montaram as casas de banho não avisaram o Inhacoso de que as sanitas haviam sido pintadas de fresco. Quando ele foi ao banheiro ficou com aquela rodela branca no traseiro”, conta divertido. De facto, estes belos animais têm um circulo branco perfeito no quarto traseiro que parece um alvo de setas, além de umas riscas subtis no dorso.

Os machos exibem uns chifres bem direitos e alguns têm uma espécie de cabeleira grisalha a combinar com o castanho acinzentado do seu pelo. Têm um cheiro tão intenso que a aragem da Savana o transporta a 500 metros. São exímios nadadores e podem estar várias horas dentro de água porque possuem uma glândula que lhes impermeabiliza o pelo. Gostam de capim alto e procuram caniçais perto de água. A sua gestação dura oito meses e vivem em pequenos grupos de oito a vinte elementos, geralmente apenas com um macho.

Impala

São as campeãs do salto em comprimento. De uma só vez conseguem percorrer até 11 metros de comprimento, sendo o mais comum seis metros e subir a três de altura. São de uma elegância única. O seu pelo é liso e de cor castanho avermelhado, com a luz do amanhecer ou do entardecer a sua tonalidade ganha um dourado maravilhoso. Excelente para os amantes da fotografia. O seu pelo é mais escuro no dorso. A sua barriguita, queixais, à volta dos olhos e cauda são brancas. As patas de trás têm tufos que servem para cobrir as glândulas de olfacto, uma espécie de rádio transmissor que avisa a manada do perigo dos predadores, fazendo com que corram para lugares mais abrigados. Uma das suas estratégias de fuga passa pela mudança repentina de direcção confundido assim os seus predadores. Atingem velocidades de 70 km/hora. Gostam de locais que possam combinar floresta e savana, ou prado e savana. Optam pela erva fresca em detrimento de zonas com água.

Os machos têm chifres em forma de lira que podem atingir 1 metro de comprimento. E lutam pelas fêmeas. Há quem diga que o seu reinado não dura mais de 13 dias, uma vez que cobre tantas gazelas e os combates  tão frequentes que os machos que ficam exaustos dando lugar a outro. Atingem a maturidade sexual ao 1 ano de idade. As fêmeas é aos 20 meses. A gestação dura 195 a 200 dias. No livro Mamíferos de Moçambique, Mia Couto relata a história de que estas conseguem controlar o dia do nascimento dos seus filhotes até que as chuvas cheguem, porém conclui que esta teoria deve ser falsa.

São irrequietas mas atentas. Por vezes saltitam, outras ficam imóveis a olhar para nós com os seus grandes olhos pretos. São sempre curiosas. Estão quase sempre a ruminar. Adoram erva fresca, folhas secas, folhagem de acácia. Pode vê-las junto às fontes de água, no entanto conseguem sobreviver na época seca até uma semana sem beber água. O segredo como comem erva fresca matam a sede, aproveitam ainda as pequenas gotas de orvalho que caem pela manhã nas folhas secas e aproveitam a água que retêm no pelo.

Imbalala

No livro Mamíferos de Moçambique Mia Couto refere que a voz das imbalalas lembram um cão. O mesmo autor afiança que é o antílope mais temido pelos caçadores não só pelo formato dos seus chifres mas acima de tudo porque quando ameaçado ou ferido torna-se mesmo agressivo lutando até à morte com bravura.

São difíceis de avistar porque gostam de mato cerrado mas optam por ficar perto de rios ou riachos. Têm um período de gestação de seis meses e, por vezes reproduzem duas vezes por ano.

©www.sapo.mz

Contactos

Contactos

Tlf: (+258) 23 535 010; Móvel: 823 020 604
Site: http://gorongosa.net/

Comentários