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Cahora Bassa

A barragem e a vila do Songo

09/01/2010 | Fonte: Por Cristóvão Araújo

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Fotos: Sérgio Costa

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Erguida 250 kms depois da entrada do rio Zambeze em Moçambique, a barragem de Cahora Bassa, que criou um lago artificial de 2.660 kms2 (270 kms de comprimento por 30 kms de largura máxima), tem capacidade para produzir 2.075 Megawatts de energia, ou seja, dez vezes mais energia do que Moçambique necessita.

Por conseguinte, a sua construção, que teve início em 1969 e se prologou até 1974 empregando no auge 7 mil trabalhadores, destinava-se ao fornecimento de energia à África do Sul e à Rodésia (actual Zimbabwe). Com a independência e a guerra civil que se seguiu, a produção de energia chegou a estar praticamente parada, funcionando apenas duas turbinas.

Em 1986, a Renamo destruiu as linhas de alta tensão, cessando o fornecimento à África do Sul, que só foi restabelecido em 1997. Presentemente, com um funcionamento pleno de cinco turbinas, Cahora Bassa é a 5ª maior barragem do mundo, sendo hoje o maior abastecedor de energia hidroeléctrica de África, beneficiando dela a África do Sul, o Zimbabwe, o Botswana e em breve o Malawi.

Visto de cima, o paredão, em forma de meia-lua ligando dois maciços rochedos que emparedam o Zambeze, impressiona com os seus 164 metros de altura. A potência da água expelida forma uma nuvem cerrada de líquido. O esmagamento visual é arrasador.

Antes da construção da barragem, Cahora Bassa, que na língua indígena significa “onde o trabalho acaba”, era o local onde os rápidos constituíam um obstáculo intransponível para os navegadores do Zambeze, por isso o trabalho terminava ali. O primeiro explorador a ultrapassar os rápidos do Zambeze nesta região foi um enigmático viajante chamado F. Monks.

Nos finais de 2005, foi assinado um memorando de entendimento entre o Governo português e o seu congénere moçambicano, transferindo 85% das acções da empresa exploradora de Cahora Bassa para Moçambique, ficando Portugal somente com 15%. Desde 2007, o Estado moçambicano passou, ao cabo de 30 anos de negociações, a controlar 85% das acções.

O Songo é a povoação mais próxima da barragem e nasceu com ela, poucos anos antes da independência. Aqui, praticamente toda a população trabalha para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), desde o administrador até ao simples empregado da limpeza.

A vila, que em 1974 contava 15 mil habitantes, está localizada num planalto, imediatamente a sul da barragem, possuindo campos verdes em redor e casas de estilo português típicas dos anos 70, rodeadas de belos e bem cuidados jardins. Toda a zona é arborizada e húmida, contrastando com a secura de Tete, a 150 kms de distância. A HCB coloca desvelo em tudo: hospitais, escolas, serviços de assistência social, transportes, vias de comunicação. Está tudo num brinco e assim se mantém até hoje apesar dos receios de alguns aquando da reversão da hidroeléctrica no final de 2007.

Uma das atracções do rio Zambeze nesta zona é o peixe tigre. Na época em que o rio se enche deste peixe há concursos de pesca muito disputados sobretudo entre a comunidade zimbabweana que às dezenas atravessa a fronteira para vir pescar deste lado.

©www.sapo.mz

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