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Gurué, a vila perdida no chá

Dê um passeio pelas maiores plantações de chá

02/02/2011 | Fonte: Por Marta Curto

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Foto: Marta Curto

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Plantações de Chá1 de 6

O Gurué é um Distrito da província da Zambézia com sede na cidade de Gurué. Está completamente fora dos roteiros turísticos do país, mas para quem procura mais do que praias e camarão, é o sítio ideal para passar uns dias.

A cidade está totalmente esburacada, o preço a pagar pelas chuvas que quase todos os dias assolam o local. Há quem diga que o Gurué tem um micro clima e que talvez seja por isso que, ali, tudo cresce e floresce.

Hóteis também não há. Só mesmo duas pensões. A Monte Verde, velha e pouco cuidada, e a Pensão Gurué, recentemente adquirida por um casal de austríacos que estão a fazer um bom trabalho de reabilitação. No Gurué há pouco para fazer, exeptuando visitar os arredores da vila. E nestes, estão (ainda) as maiores plantações de chá do país.

Aquele distrito já teve 12 plantações. Neste momento funcionam cinco. A guerra dos 16 anos levou as outras em chamas por ataques militares. Ainda assim, só em 1991 é que a maioria deixou de funcionar, graças à teimosia da direcção da Emochá, a empresa estatal encarregue de explorar esta indústria, e dos trabalhadores, que mantiveram as colheitas e as fábricas a funcionar. Nos dias dos ataques produzia-se menos. No dia seguinte voltava-se à rotina.

De facto, naquela zona, no chá se nasce, no chá se trabalha e no chá se morre. Qualquer pessoa daquela terra trabalha, trabalhou ou conhece alguém que fez vida no chá.

E o ideal é começar o dia a tomar o pequeno almoço no Monte Verde para conhecer o Sr. Adrião que, em tempos, trabalhou na direcção da Emochá e que conhece bem a evolução das chazeiras. Hoje é o dono da pensão Monte Verde e um excelente contador de histórias.

Comece por visitar a plantação do Sr. Miranda, a mais distante da vila, a cerca de 40 quilómetros. As plantações não estão cercadas, pelo que poderá lá andar à vontade e apreciar com calma a vista. É garantido que ficará deslumbrado.

Montanhas cinzentas emolduram o cenário, com as suas estranhas formas. Vales e montes verdes, qual jardim britânico, enchem o olhar. É o chá. Para quem não conhece, são pequenos arbustos, que devem ser sempre podados. No tempo da colheita, entre Novembro e Agosto, vêm-se centenas de pessoas de cesta de verga às costas.

Cortam pequenos ramos com duas folhas, já que, mais do que isso, já faz mau chá. Quando chegar à fábrica, peça para visitá-la. Talvez tenha sorte e encontre o simpático gerente indiano, que já trabalha há 25 anos no chá da India, e que veio há um ano para a fábrica do Sr. Miranda. Pouco depois do edifício existem quedas de águas que vale a pena visitar. O caminho de volta à vila faz-se entre chá e colheitas.

À noite, aproveite e vá ao cinema no Cine Gurué, um enorme cinema onde hoje passam filmes pouco actuais perante uma imensa plateia vazia. O edifício faz lembrar os velhos tempos, quando a vila estava cheia e mais de 30 mil pessoas trabalhavam no chá. Hoje serão cerca de três mil.   

©www.sapo.mz

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Gurué - Província da Zambézia

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