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O historiador do Ibo

João Baptista com 82 anos é um museu vivo

05/04/2010 | Fonte: Por Teresa Cotrim

Fotos

Foto: Teresa Cotrim | Ilha do Ibo

Fotos

  • Ruínas de uma das lojas de tecidos indianos
  • A cadeira de repouso de João Baptista
  • Prisão
  • Praça dos Trabalhadores
  • Ponte cais na ilha do Ibo
  • Ponte cais na ilha do Ibo
  • Ponte cais na ilha do Ibo
  • Ourives do Ibo
  • Os ourives vendem objectos de prata na Fortaleza
  • Os canhões eram para festejar o novo ano
  • Naquela parede lia-se &#39;entra vivo, sai morto&#
  • Miúdos vendem moedas de bronze antigas
  • Latrina dos presos com cinco buracos
  • João Baptista exemplifica como iam ao wc
  • João Baptista historiador da ilha, com 82 anos
  • João Baptista esteve preso 24 horas e dormiu ali
  • João Baptista, homem de passada rápida
  • João Baptista na ilha do Ibo
  • Ilha do Ibo
  • Pescadores chegando da faina
  • Igreja de São Baptista. Construção do século X
  • Igreja de São Baptista de estilo romano
  • Fortim de São José serviu de cadeia civil
  • Fortim de São José serviu de cadeia civil
  • Fortim de São José serviu de cadeia civil
  • Ilha do Ibo
  • Fortaleza de São João Baptista
  • Fortaleza de São João Baptista
  • Fortaleza de São João Baptista
  • Fortaleza de São João Baptista, de 1789
  • Foi nesta alfândega que trabalhou toda a vida
  • Os canhões faziam bum, bum pelo Ano Novo
  • Ilha do Ibo
  • Cozinha dos brancos
  • Colares do Ibo
  • Casas coloniais da ilha
  • Capela da fortaleza
  • Arquivo de registos da alfândega ainda intactos
  • Arquivo de registos ainda intactos
  • Antigos armazéns de cajú e amendoim
  • Alguns edifícios por restaurar
  • Alfândega da ilha do Ibo
  • WC dos guardas da Fortaleza São João Baptista
  • Alfândega
  • A ilha tem bastante gado
  • A casa de Joao Baptista, o historiador da ilha

Ruínas de uma das lojas de tecidos indianos1 de 46

Cruzamo-nos com ele junto do Fortim de São José sentado numa moto a alta velocidade. Sabe cada detalhe dos monumentos da ilha do Ibo, situada no Arquipélago das Quirimbas, em Moçambique.


Aliás, à entrada da sua casa pode ler-se “João Baptista conselheiro e historiador da ilha do Ibo”. Foi aqui que nasceu em 1927 e, por ele passaram 42 Governantes, entre eles os portugueses. Nessa época trabalhava na secretaria da Alfândega como dactilografo, acabando por secretamente ter acesso aos documentos confidenciais.

Sabe todas as datas. Todos os nomes. Conta detalhes do tempo do comércio de escravos, da troca de especiarias, das lojas indianas de seda, das plantações de café e dos hindus que queimavam os corpos mandando as cinzas para o mar e, por isso deixaram de comer peixe com receio de estar a ingerir um antepassado. Lembra-se da história de cada Fortim e de cada casa.

Leva-nos numa viagem pelo tempo. Gesticula com os braços, os seus olhos cintilam de prazer. Vivaços.

A ilha do Ibo é muito importante na formação da história de Moçambique. No século XVII foi capital  e a sua localização estratégica permitia aos portugueses o controlo das rotas comerciais. Holandeses, franceses, malgaxes todos a tentavam conquistar mas a Fortaleza de São João Baptista, Fortim de S. José e Fortim de S. António nunca o permitiram. Estes estão agora a ser recuperados.

Após a saída dos portugueses a guerra civil também lhe deixou algumas recordações, nomeadamente as 24 horas que esteve preso e de onde pensou já não sair, pois no local onde dormiu lia-se na parede: “Entra vivo, sai morto!” E desse dia tem muitas histórias para nos contar.

Lembra-se dos presos em fila para irem à latrina dos cinco burcos, de se pagar 25 contos para entregar alguém à polícia. Da cozinha, da capela, do local onde colocavam os corpos após serem abatidos. Sobe as escadas num frenezim e junto aos canhões, aponta: “Está a ver aquela palmeira era ali que os colocavam e os cães vinham à noite comê-los. Cheirava muito mal, então começaram a levá-los para o mar e deixavam-nos lá vivos.

Eu não li. Eu vi”, diz, alçando o dedo em riste, continuando: “Já estes canhões faziam bum, bum apenas para assinalar a passagem de ano.” Mas melhor do que ler é ver a sua entrevista ou as suas fotografias. O Sapo gravou tudo.

©www.sapo.mz

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Ilha do Ibo - Arquipélago das Quirimbas - Cabo Delgado

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