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Reserva de Maputo

Um recanto da vida selvagem às portas de Maputo

06/05/2013 | Fonte: © www.sapo.mz | Odair Soares

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Fotos: Odair Soares

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Vida selvagem1 de 24

Encontrar elefantes pode ser uma aventura. O truque é não desistir e apreciar cada momento em plena natureza. As garças e os flamingos fazem-lhe companhia. Vai ver que a recompensa tarda mas não falha.

A aventura começou bem cedo. Eram 6h da manhã quando o guia da Bushfind, Miguel Bruno, me ligou a perguntar se estava pronto, pois eles já estavam à porta de casa à minha espera. O nosso destino era a Reserva de Maputo. Seguimos pela Marginal até ao porto de Maputo, junto à Marina, onde apanhámos o barco em direcção a Katembe. Mal tinha começado a minha aventura pelos safaris nesse momento.


Ao todo somos três aventureiros, o guia, um estudante mestrado da vida animal e eu, o jornalista. Findas as boas-vindas e após verificar se estava tudo em ordem com carro, demos início à nossa aventura que ia durar um dia e meio em contacto com a natureza e com a vida animal na Reserva de Maputo. A travessia do rio Katembe demorou uns 15 minutos e à chegada à outra margem parámos para comprar pão para o mata-bicho* e seguimos viagem em direcção ao Templo Hindu Sherr Ran, sítio escolhido para a primeira refeição do dia.

A viagem até ao templo faz-se através de uma estrada de terra batida íngreme e de difícil circulação para os carros. Às 8h30 chegámos ao Templo e fomos recebidos pelo chefe Hindu que nos ofereceu um mata-bicho à moda indiana com molhos picantes, pão e bolacha típica da Índia.

De regresso, e depois de quase uma hora a "saltitar", chegámos finalmente ao nosso destino. À entrada da Reserva fomos recebido pelos guardas do Parque e preparámo-nos para a aventura. Encontrar elefantes e ver hipopótamos e Red Duicker** ou Bushbuck** eram os nossos objectivos.

Antes de chegar à reserva atravessámos o rio Futi, que vem desde a África do Sul e que atrai imensos elefantes quando as lagoas no país vizinho começam a secar. O tempo estava bom apesar do pouco vento que se fazia sentir, algo que faz com que os animais percam as defesas e se refugiem no meio da vegetação. Informação esta que o meu guia me confidencia, alertando-me que talvez não consigamos avistar os elefantes ou Red Duicker e Bushbuck.

Mas, as pegadas frescas no chão são animadoras, pois indicam a presença ou passagem recente dos animais pelos sítios onde estamos a andar. A qualquer momento podemos ser surpreendidos por um antílope, e, por isso, o grupo mantem-se alerta a qualquer sinal e som vindo do interior da vegetação. De repente o meu colega de viagem, o Pedro, diz-nos que viu um Red Duiker. Parámos o carro e ficámos em silêncio à espreita. Ainda tentámos chamá-lo mas sem sucesso, pois são animais muito desconfiados que fogem a qualquer sinal de presença humana. Continuámos viagem, sempre atentos às pegadas dos animais. Chegando à primeira lagoa avistámos hipopótamos, um crocodilo e algumas aves à na margem.

O momento é de contemplação e dá para tirar as primeiras fotografias. O crocodilo rapidamente esconde-se por entre as águas. Não quer ser fotografado, enquanto isso só nos restam os hipopótamos e as aves à volta.  A tranquilidade da paisagem que se perde de vista e o colorido contraste entre a lagoa e a vegetação criam uma simbiose perfeita.  Ouvem-se os hipopótamos a 'conversar'. Eles têm crias pequenas e são ao todo uma família de cinco elementos. Durante o dia refugiam-se nas águas do rio a dormir e à noite saem para se alimentarem no mato.


As garças e alguns flamingos 'pescam' na margem do rio


Seguimos para a segunda lagoa na esperança de encontrar pelo caminho elefantes, mas em vez disso encontrámos a segunda família de hipopótamos. Mas, antes de reencontrar os hipopótamos, ainda arriscámos chamar um Red Duicker, que vimos no meio dos arbustos, mas sem sucesso. Imitar o som do Red Duicker pode também ser perigoso e só deve ser feito na presença de quem conheçe o terreno e sabe medir os riscos da possibilidade de haver algum predador por perto. 

A viagem leva-nos até a praia de Milibangala, uma praia que fica dentro da reserva e com um extenso areal a perder de vista. O almoço é improvisado com umas sandes de queijo e fiambre servido numa pequena mesa de madeira com uns bancos à volta, mesmo em frente à praia. Na praia, o tempo parece não ter pressas, tudo respira tranquilidade, embalado pelo barulho das ondas.

A nossa esperança reside na tarde que ainda nos resta pela frente. O insucesso de não ter visto os elefantes é compensado pelas fotos da paisagem que fui tirando, sempre há um pormenor por descobrir. De regresso ao interior da reserva, pelo caminho, não conseguimos ver nenhum rasto ou sinal dos elefantes. Parece que nesse dia não queriam nada connosco e só nos restava o início do dia seguinte para vê-los. Foi então que decidimos dar o dia por terminado, às 18h00, e regressar à primeira lagoa onde avistámos os hipopótamos para montar o acampamento e pernoitar.

Ali apenas se ouvia o som dos hipopótamos ao longe e distinguiam-se na noite alguns pirilampos que andam à volta do carro, debaixo de um céu incrivelmente estrelado mesmo por cima de nós. Vê-se a Via Láctea, a auto-estrada do céu, por assim dizer. A conversa traz vários temas a discussão, amainados com um café que tempera a noite fresca. Volta e meia ouvimos os hipopótamos a ressonar, e parece que estão mesmo ao nosso lado, mas não. Terminado o jantar é tempo de recolher.  Amanhã espera-nos um longo dia e queremos acordar bem cedo para ver se encontramos os elefantes.


Em busca dos elefantes perdidos


São 05h30 e é hora de acordar. Ainda está frio e o dia mal nasceu, mas já estamos de pé novamente e a preparar o mata-bicho, pelo meio vamos conversando e o tema "elefantes" volta à tona. Será que hoje teremos mais sorte? É o que o grupo espera.


Eram 06h quando nos metemos à estrada de novo, à procura dos elefantes. Voltámos aos mesmos sítios do dia anterior na esperança de ver estes animais e foi aí que a sorte veio ter connosco. Foi mais ou menos às 07h30 quando vimos os primeiros elefantes. Eram duas fêmeas com as suas crias no meio do pasto. Das duas crias só se viam dois pontinhos pretos ao fundo, bem no meio da vegetação densa, e com duas garças por cima delas. Um truque para saber se há elefantes no meio de uma densa vegetação é ficar atento às garças, pois é uma forma de sabermos se há ou não elefantes por perto.

Parámos o carro e procurámos fazer o mínimo de barulho possível para não os assustar. No grupo que vimos existe um elefante macho jovem muito reguila, mas que por sorte  não está com o grupo neste momento. É seguro sair do carro, avisa-me o guia, e num segundo coloco-me lá fora com a câmara fotográfica na mão para registar o momento. Após o primeiro disparo, veio o segundo, o terceiro, não conseguia despregar os olhos, maravilhado com aquilo que via à frente. Pela primeira vez via elefantes no seu meio natural à vontade, sem cercas à volta.

Terminada a aventura na reserva, é hora de pegar a estrada de volta a Maputo deixando para trás tudo aquilo que vimos. O regresso é rápido, mas triste, pois a vontade de continuar pela reserva adentro e explorar mais recantos e ver mais animais é maior do que a vontade de vir embora. Mas, infelizmente, a realidade da vida quotidiana chama-nos, enquanto a vida selvagem e a reserva pedem uma pausa para se restabelecerem da noite e prepararem o 'cenário' para os novos aventureiros.

Nós despedimo-nos com um 'até já' e com a promessa de voltar em breve para novas aventuras.

*pequeno-almoço

**Red Duicker (cabrito vermelho) e Bushbuck (Imbabala)

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