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Liloca: “Sou a cantora do povo”

21/04/2015

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Luísa Madade, mais conhecida por Liloca, é cantora moçambicana há 9 anos, e define-se como uma “artista do povo”.


Nascida em Tete, e quase a completar 30 primaveras,  passa parte do seu tempo a viajar. Já actuou na Nigéria, na África do Sul, e nas Seicheles, onde também representou o nosso país no carnaval do ano passado. Esta foi uma experiência única, segundo contou em entrevista ao SAPO:  “Estavam lá mais de 50 países, foi um carnaval grande com muitas culturas diferentes. No dia do lançamento do carnaval tinha um artista de lá que fez a música do hino, onde cada país participou, e eu subi ao palco e estive a levantar a bandeira de Moçambique como participante, adorei aquele momento! Pena que quando me perguntavam de onde eu era, eu respondia Moçambique, mas ninguém sabia bem onde era, e eu lá tinha que explicar que ficava no sul de África, ao lado da África do Sul”.


No entanto, é no seu país natal que Liloca actua, na maior parte das vezes. Conhece Moçambique quase como a palma da sua mão e é reconhecida por todos os moçambicanos, de diferentes faixas etárias: “Costumo dizer que sou a cantora do povo. Gosto muito de percorrer o país, mas tem o seu lado difícil também. As pessoas pensam que é só apanhar o avião e quando aterramos já estamos no local do show mas não é assim,  quando chego do avião muitas das vezes ainda tenho que apanhar autocarro para chegar ao local, e ainda faço 4 ou 5 horas de caminho. Isto retracta muito aquilo que faço”, explicou a artista.


São muitas as lembranças e marcas que Liloca tem vindo a recolher ao longo da sua carreira. A cantora partilhou com o SAPO duas situações que a marcaram pela negativa e que vão ficar para sempre na memória: “Um deles foi o cancelamento do show. Fiz a viagem de avião, depois fiz mais 4 horas de carro e quando chegámos ao local fui informada que não podia actuar porque havia uma falha no som. Nunca mais me vou esquecer. Outra foi num show em Inhambane, assim que comecei a actuar, o público limitava-se apenas a assistir de braços cruzados, sem interagir comigo. Não sei se estavam cansados, só sei que fiquei desanimada, mas depois pensei para mim mesma que isto não podia ficar assim, e de repente lá ‘cutuquei’ um pouco e o show acabou numa alegria total, graças a Deus”, contou a cantora.


Regressada há apenas 1 mês de umas férias na Índia, Liloca não quis deixar de apelar ao povo moçambicano que valorizem mais o nosso país, pois foi nesta viagem de férias que assistiu à valorização nacional que o povo indiano faz de tudo o que é tradição naquele país: “Gostei muito principalmente pelo facto da cultura ser tudo para eles. Lá, em qualquer restaurante onde entramos temos que comer aquela comida indiana cheia de picante ou a qualquer sitio onde vamos temos que ouvir a musica deles, porque é a cultura deles, eles valorizam muito tudo o que é deles. É isto que falta em Moçambique, valorizar os nossos costumes, a nossa comida, a nossa capulana, a nossa música” afirmou.


Apaixonada por viagens, a cantora disse que existem dois países que estão no topo dos destinos que ainda quer visitar. Um deles é o Brasil, “pelos ritmos da música, que aprecio muito”, e o outro é França “ mais propriamente Paris, pelo glamour que a cidade tem”, contou ao SAPO, adiantando que isso irá acontecer em breve pois “quando uma pessoa quer muito uma coisa, ela consegue”.


Liloca é uma mulher de sorte, pois faz o que gosta e é acarinhada pelo seu povo, que adora a sua forma de ser, “talvez por este meu jeito de ser bem vibrante, eléctrico e agitado. O povo gosta disto, é festeiro. Eu faço música que me faz vibrar, que me faz dançar, aliás, o que me caracteriza é a minha agitação em palco e o calor que transmito às pessoas”, contou.


E não é só a sua forma de ser que espelha a sua alma de mulher tipicamente moçambicana. Liloca vai mais além e confessa: “Até na comida gosto de seguir a tradição, pois adoro comer à mão, mas só o faço quando estou sozinha em casa”, riu.

Vanda C. Pereira

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