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O jornal The New York Times adora Moçambique. Sabe porquê?

Avanços nos direitos humanos, lugares de outro mundo e turismo a baixo custo

28/04/2016 | Fonte: © viajar.sapo.mz | João Pedro Lobato

Lusa | Nascer do Sol em Maputo

Moçambique é um dos países africanos mais elogiados pelo jornal norte-americano. Dos 52 lugares do mundo que o The New York Times recomenda que visitemos em 2016, Moçambique surge em sexto lugar. Avanços nos direitos humanos, uma capital fervilhante e praias de outro mundo. A isto junta-se o facto de ser um país muito barato para fazer turismo, pelo menos para os bolsos ocidentais, tal como testemunhou um dos seus jornalistas.

A capital do México, a cidade francesa de Bordéus, a ilha de Malta, assim como a Baía do Coral e o Parque Nacional Theodore Roosevelt, ambos nos Estados Unidos, são os únicos lugares do mundo à frente de Moçambique na lista dos melhores sítios a visitar em 2016, publicada no início do ano pelo icónico jornal.

O facto de em Julho de 2015 ter-se tornado uma das poucas nações africanas a descriminalizar a homossexualidade, no que foi considerado um grande avanço ao nível dos direitos humanos, abriu a porta aos turistas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros), que assim podem visitar este país sem medo de qualquer tipo de represálias por parte das autoridades, ao contrário do que sucede em muitos dos países da região. Nesse sentido, a capital Maputo é apontada como um lugar de tolerância.

Mas há mais. Em Março, o jornalista e escritor de viagens Seth Kugel, num dos habituais textos que escreve para o The New York Times (NYT), deu a conhecer o que descobriu ao fim de três dias e três noites na costeira Maputo. Um local que fervilha a música e cultura; antigos edifícios coloniais, aqui e acolá, que nos remetem para um era perdida; avenidas, apinhadas de pessoas, com o nome de famosos líderes mundiais que marcaram o período da independência (de Ho Chi Min a Mao Tse Tung, passando por Vladimir Lenine); mercados a céu aberto ou junto ao mar onde se vende comida e peças de arte artesanal; uma longa e sedutora costa que cobre o flanco da cidade; e peixe, muito peixe e marisco ao dispor de um simples estalar dos dedos.

Concentrado em gastar o menos possível, o principal receio de Seth Kugel estava nos preços inflacionados que iria encontrar (assunto que tanto tem dado que falar no país), provocados por uma economia em crescimento e um maior investimento estrangeiro. Na verdade, para um moçambicano alguns dos preços podem ser quase proibitivos, mas para alguém da Europa, Estados Unidos ou das potências asiáticas o único problema resume-se ao valor a pagar pelo alojamento: uma pensão para turistas, de aspecto simpático mas a milhas de ser luxuosa, poderá custar 70 dólares por noite (2240 meticais), por exemplo, mas os que preferem algo ainda mais barato poderão sempre encontrar um quarto por 15 dólares (480 meticais)… mas não esperem lençóis lavados todos os dias ou paredes de branco imaculado.

O melhor de Maputo? A sua gente, a possibilidade de travar uma rápida amizade com os moçambicanos mesmo que se seja um estrangeiro: as relações estabelecem-se de forma fácil, frisa Kugel.

Não é de agora o interesse do jornalista norte-americano por Moçambique. Em Fevereiro de 2014, igualmente para o NYT, Kugel descreveu a sua viagem de quatro dias ao longo da costa Sul do país, em busca de praias pequenas e vazias. Foi na vila de Tofo, perto da cidade de Inhambane, que se deu a rendição do escritor de viagens. O preço por uma estadia de luxo com vista para a praia? 62 dólares (cerca de 2000 meticais). Mas existe sempre a hipótese de pagar 20 dólares (640 meticais) pela estadia numa pensão espaçosa, estilosa e onde a privacidade está garantida.

Fã de marisco fresco? Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são restaurantes onde ele é servido, com preços que rondam os 7 dólares (220 meticais). Nunca o paraíso pareceu tão acessível e barato para alguém vindo de fora de África.

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